Recomendações para os novos Estudantes

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RECOMENDAÇÕES PARA OS NOVOS ESTUDANTES

 

Ismael Fiaça[1]

 

 

«Estudar todos os dias faz com que seu cérebro se acostume ao constante processamento de informação». 

“in estudareaprender.com”

 

Resumo

O presente artigo tem como escopo advertir, aconselhar e acima de tudo orientar os novos estudantes, isto é, os recém-admitidos no ensino superior, principalmente os estudantes do curso de Direito.

As recomendações escalpelizadas aqui não excluem a possibilidade das mesmas serem aplicadas aos demais cursos das várias áreas do saber a nível superior, entretanto, toda abordagem há de girar em torno dos estudantes do curso de direito.

 

Summary

The purpose of this article is to warn, advise and, above all, guide new students, that is, those newly admitted to higher education, especially law students.

The recommendations outlined here do not exclude the possibility that they are applied to other courses in the various areas of knowledge at a higher level, however, every approach must revolve around law students.

 

1. Considerações iniciais

A República de Angola dispõe de um diploma legal que regula o Sistema de Educação e Ensino, Lei 17/16 de 7 de Outubro.

O n.º 1 do artigo 17.º do referido diploma, refere que o ensino em Angola está constituído por seis subsistemas de ensino e quatro níveis. De entre os níveis temos os seguintes: (i) Educação Pré-Escolar, que envolve a creche, isto é, desde os três meses aos seis anos de idade (artigo 23.º); (ii) Ensino Primário, que vai da 1ª a 6ª classe; (iii) Ensino Secundário, que envolve os I e II ciclos; e (iv) O Ensino Superior, que envolve a graduação (bacharelato anteriormente e licenciatura), e a pós-graduação, que envolve o mestrado e o doutoramento (arts 68º e 69.º).

Sendo assim, fica evidente que o Ensino Superior de que nos ocupamos a escrever, é o nível mais alto do sistema de ensino e educação, não só em Angola como também em outros países.

Neste sentido, a primeira chamada de atenção para si, recém-admitido a uma universidade, reside no facto de que você acaba de ingressar para ao nível mais alto do educação e ensino que existe, pois, é neste nível onde saem os GRADUADOS (licenciados) e PÓS-GRADUADOS (mestres e doutores).

Significa que não existe um outro nível depois do nível superior e não existem outras graduações ou pós-graduações feitas fora do nível superior. É na universidade onde saem todos esses profissionais que ostentam cada um dos títulos, tais como, licenciado, mestre, pós-graduado (stricto sensu), doutor, pós-doutor e outros que talvez existam em outros países.

Deste modo, bem-vindo à universidade, bem-vindo ao nível mais elevado da academia e bem-vindo a ceara onde você deixa de ser “ALUNO” e passa a acarretar consigo o título de “ESTUDANTE”

2. De aluno para estudante 

Um dos aspectos que os recém-admitidos ao ensino superior precisam atentar, prende-se com a transformação da consciência de que doravante vós sois estudantes e não mais alunos.

Inúmeras são as vezes que alegamos que aluno e estudante significam a mesma coisa. Repare que nalgumas vezes quando perguntamos a alguém se trabalha, sendo que a mesma não trabalha, a resposta é “sou estudante” ou “não trabalho, mas sou estudante”. Da mesma sorte, já ouvimos a nível do ensino geral professores a tratarem alunos por estudantes e no ensino superior docentes a tratarem estudantes por alunos,

No entanto, isto é normal e admissível do ponto de vista conceitual, porem, tais nomenclaturas do ponto de vista prático espelham realidades diferentes, visto que, do ponto de vista prático, o aluno está em parte ancorado ao que já foi pré-estabelecido e ao que o professor transmite, sendo que, toda avaliação incidirá sobre o que foi ministrado; realidade que não acontece quando estamos diante do estudante, pois, este, por sua vez, é um solitário na sua prática, não está ancorado apenas ao que já está estabelecido bem como não depende exclusivamente ao que o docente transmite.

Nesta ordem de ideias, caberá ao novo estudante se consciencializar de que doravante todo seu sucesso académico dependerá em certa medida de si mesmo e da nova consciência de que é um ESTUDANTE, independente, autodidata e um incansável investigador do saber e da ciência.

3. O que fazer de seguida?

Um dos erros que os novos estudantes insistem em cometer prende-se com o facto de muitos se entregarem a sorte e acharem que a universidade e os docentes farão tudo por eles, isso não acontece no ensino superior.

A título de exemplo, uma turma do 1° ano pode ser constituída por mais de 80 estudantes, facto este que o aluno no ensino geral não está acostumado, visto que neste, o professor empreende todo esforço no intuito de garantir que os 25 ou 30 alunos sejam orientados de perto em quase tudo.

Sendo assim, tão logo as aulas arrancam, o estudante deve prontamente arranjar formas de adquirir todos os programas de cada uma das cadeiras, dou-vos cartas que é um caminho eficaz a ser trilhado.

Advertindo que é bem provável que a sua turma do 1º ano seja muito extensa, realidade esta que talvez não esteja acostumado. Significa que o programa a ser adquirido servirá de guião para se auto orientar de modo que não dependa exclusivamente do docente e possa estudar/investigar os temas com antecedência, resumir os assuntos e formar a sua própria tese. Não se esqueça que está na universidade e aqui faz-se ciência.

4. Cuidado com os estudantes parasitas

Em regra, nas universidades podemos encontrar vários tipos de estudantes, tais como: (i) os repetentes; (ii) cadeirantes; os turistas; (iii) e os fantasmas. Sem preconceitos e sem descorar todas as excepções que se impõe.

Não se iluda, universidade é para ser feita e não para ir se fazendo. Boa parte dos estudantes que elencamos supra, são impulsionados com a ideia de que “universidade é para ir fazendo”, gerando falta de zelo, empenho, dedicação, ao ponto de um curso que tem a duração de 5 anos, ser feito em 7, 8 ou até mesmo em 10 anos. Não é bom que seja assim.

 a) Estudante repetente

Esse tipo de estudante é o que chamamos de pessimista, por causa das suas ideias, tais como, à universidade não presta, os colegas também deixam muitas cadeiras e os docentes são injustos tanto nas avaliações como nas correcçãos das provas.

Cuidado com esse tipo de estudante, pois, tudo o que ele há-de apresentar é uma visão pessimista da universidade ao ponto de deturpar a consciência dos demais. Com estes, tenha cuidado e ajude-os se for possível, sem se deixar influenciar.

b) Estudante cadeirante

Em relação a esse tipo de estudante, a vigilância também é necessária, pois, esses são aqueles que diz está no 4º ano, entretanto, é conhecido por todos e em todos os anos pelo facto de ter caideiras talvez no 1º, 2º e 3º ano.

Esse não é tão perigoso como o primeiro, todavia, os conselhos dos tais também devem ser bem ponderados, porque na maior parte das vezes os seus discursos incidem sobre a ideia de que “vou fazer pelo menos essa e aquela cadeira e o resto faço depois ou no ano seguinte, porque o importante é transitar de ano. Cuidado!

Atenção que estar no 4º ano com cadeiras do 1º, 2 e 3º não é uma tarefa fácil, porém, frustrante, pois, os docentes podem não ser os mesmos dos anos anteriores, quase não se consegue estar presente nas aulas de um determinado ano e ao mesmo tempo assistir as aulas das cadeiras dos outros anos. E mais, a situação só piora quando chega a fase das avaliações, os calendários das cadeiras vigentes e em atraso podem colidir a todo instante. Portanto, não queira ser um estudante cadeirante, é frustrante e gera uma sensação de jogar à toalha ao tapete e desistir.

c) Estudante turista

Essa espécie de estudante já é conhecida desde o ensino médio, pelas suas características, visto que é daqueles estudantes que está presente na universidade, entretanto, não assiste as aulas.

É daqueles estudantes que sai de casa com outros propósitos, porém, antes mesmo dá um pulo à acidemia, visualiza o clima e o cenário, no entanto, de seguida, desaparece e só volta a ser visto no dia seguinte. Com esses, todo cuidado, por favor.

d) Estudante fantasma

Esse é aquela que acha que é possível fazer a graduação (licenciatura) com excelência sem assistir as aulas. O mesmo até está matriculado, consta na base de dados da academia, porém, só aparece para fazer as provas. Boa parte deles não obtém bons resultados, até porque nada melhor aprender e ser instruído por um especialista (docente da cadeira).

5. Cuidado com o recurso as explicações

Sobre este ponto, vale lembrar que vocês encontrarão bons e excelentes estudantes bem mais avançados do que vocês e muitos deles dispostos a ajudar. Isso é muito bom.

No entanto, não podem cometer o erro de a todo instante recorrer a explicações mesmo quando há possibilidade de ter contacto directo com a matéria ou conteúdo. A título de exemplo, vejamos: o que fazer depois de uma aula sobre “As Fontes do Direito” qua o estudante assistiu? Não é recorrer à explicação, ma sim, aos livros e manuais que tratem do assunto a fim de reforçar o que já foi transmitido pelo docente, ainda que não percebido em condições; após as leituras efectuadas, caso ainda assim, as coisas não estejam muito claras, só, e somente nestas circunstâncias é que é aconselhável o recurso a explicações.

A explicação de uma dada matéria não é uma aula sobre a mesma, mas, um mecanismo usado para colmatar lacunas e ser esclarecido sobre o que ouviu e leu e não se compreendeu. É para isso que servem as explicações.

6. Estude para saber e não para fazer provas

Reiterando aqui que o ensino superior é o nível mais alto do sistema de ensino, neste sentido, a formação superior é muito exigente e a labuta é árdua desde o primeiro ao último ano. Posso lhe asseverar que não será uma tarefa fácil.

Infelizmente é aqui onde radica parte dos problemas dos estudantes repetentes, cadeirantes e outros com fraca qualidade ao longo da formação.

O estudo de forma geral exige empenho, abnegação de algumas coisas, esforço e dedicação. Quando se pretende alcançar bons resultados e excelência em termos de qualidade, deve-se “estudar para saber e não apenas para fazer prova”. Quem estuda para fazer prova esta a cavar o seu próprio abismo.

Quando se estuda para fazer prova, o estudante se perde, as motivações são outras e alguns mesmos só abrem os livros ou se dirigem à biblioteca uma semana ou dois dias antes da prova. Quem assim procede está a trilhar um caminho espinhoso cujo preço é altíssimo.

Diferente do estudante que estuda para saber, as suas motivações são legítimas e sensatas. Quem decide estudar para saber, não está preocupado se as provas ainda estão distantes ou se já se avizinham, pelo que, empreende todo esforço desde o primeiro dia de aula com o escopo de entender o conteúdo, não acumula matéria, lê além do que foi pedido e vai se tornando cada vez mais e mais um estudante robusto na componente saber, pois, as suas motivações são as mais razoáveis.

Portanto, agora que está no ensino superior, estude para saber e não para fazer prova; não memorize para responder as questões, pelo contrário, estude o conteúdo que foi ministrado e no momento da avaliação estará em condições de satisfazer tal desiderato.

Considerações finais

Portanto, mãos à obra, pés firmes nesta nova fase académica, lembrando que está no nível mais elevado do sistema de ensino, que espinhos e abrolhos encontrará, entretanto, com zelo e dedicação é possível fazer a graduação (licenciatura) com excelência em 4, 5 ou 6 anos dependendo do curso em que esteja inserido.

[1] Consultor na LWD-Advogado, Professor do Ensino Geral por 10 anos, actualmente Docente Universitário.

Ismael Fiaça

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